Vinte mil empregados. Valor de mercado de US$ 150 bilhões. Cerca de 650 milhões de clientes diários. Nada mau para uma empresa que nasceu há apenas dez anos como extensão de um projeto feito pelos estudantes universitários Sergey Brin e Larry Page, e que hoje já incomoda até grupos que também surgiram do nada para se transformarem em gigantes rapidamente, como Microsoft e Apple.
Dez anos depois de ser criado como alternativa aos sites de buscas Yahoo e AltaVista - no começo de setembro de 1998, em um dia que nem seus fundadores se lembram corretamente -, o Google é hoje a maior empresa da internet mundial, com participação relevante em serviços como e-mail, mapas, blogs e hospedagem de vídeos. Na década que se passou, o tamanho do Google se multiplicou 80 mil vezes (veja o gráfico abaixo).
A eficácia do algoritmo do Google fez com que o buscador fizesse sucesso até entre seus então concorrentes. Em 2000, o Yahoo anunciou que abandonaria seu método antigo de buscas, e passaria a oferecer a seus internatuas um sistema feito pelo Google. Um ano antes, a empresa de Page e Brin havia recebido seu primeiro aporte milionário de capital. Aos míseros US$ 100 mil investidos em 1998, juntaram-se US$ 25 milhões, vindos de um fundo de capitais.
Com a entrada de dinheiro, foi possível expandir a empresa e criar novos produtos. Um dos primeiros serviços a aumentarem o portfolio do Google foi o AdWords, plataforma de anúncios exibidos no buscador. Já como um dos sites mais consultados pelos internautas, a página de buscas se tornava um local atraente para anunciantes.
A partir de então, já em tempos da chamada "web 2.0" o Google passou a expandir sua participação em diferentes serviços da rede. Em 2002, surgiram o Froogle, para compras online, e o Google News, um agregador de notícias. Nenhum dos dois, no entanto, impressionou a concorrência.
Mas em 2004, o Gmail tornou-se febre por inovar no espaço de armazenamento para e-mails gratuitos: 1 GB, quinhentas vezes maior do que os 2 MB então oferecidos pelo Hotmail, da Microsoft. Depois, em 2005, surgiriam o Google Maps e o Google Earth, sistemas líderes em exibição de mapas e organização de conteúdo geoespacial.
O primeiro grande passo da gigante ocorreu no final de 2006, quando o Google pagou US$ 1,65 bilhão por um site de vídeos que já começava a mostrar a importância do conteúdo multimídia na rede: o YouTube. Para o Google, era um investimento em uma inovação. Para o resto do mercado, no entanto, soou como alerta, já que a empresa de Brin e Page já possuía um serviço semelhante para compartilhamento de vídeos, o Google Videos.
Os últimos passos foram dados nas semanas que antecederam o aniversário de dez anos. Primeiro surgiu a confirmação de que o primeiro celular baseado em software feito pelo Google, batizado de Android, será lançado em breve, na onda do sucesso do iPhone da Apple. Depois, a empresa anunciou o lançamento do Chrome, navegador para PCs que entra em um mercado dominado até pouco tempo pela Microsoft, mas já abalado pelo crescimento do browser independente Mozilla Firefox.
É tarde demais para o Google abocanhar clientes do celular da Apple e do navegador da Microsoft? Fazer antes da concorrência não parece ser a principal meta da empresa. Surgir 4 anos depois do Yahoo não impediu que o Google se transformasse no líder mundial em buscas.



















