Madonna finalmente voltou a São Paulo 15 anos e 45 dias após ter reunido seu maior público na época. A cantora subiu ao palco do Estádio do Morumbi às 21h57, com quase duas horas de atraso, nesta quinta-feira para o primeiro de três shows que marcam o fim da turnê Sticky & Sweet.
Para os fãs foram meses de espera e transtorno na fila da compra de ingresso. Muitos passaram até 13 noites ao relento para ver a rainha do pop de perto, em sua melhor forma física.
E Madonna não deixou a desejar. Assim como fez no Rio de Janeiro, no último domingo e segunda-feira, ela sacudiu, pulou corda, rolou no chão e mostrou ser a cinqüentona mais descolada do showbiz, animando os cerca de 67 mil fãs no Morumbi.
Com quase duas horas após o horário previsto para começar o show, o público mostrou certa impaciência com a demora para o início da apresentação. Parte dos fãs chegaram a iniciar vaias pela longa espera.
Mas assim que as luzes do estádio se apagaram dava para perceber que aquele era o início de uma experiência única e jamais vivida. A maior turnê da carreira de 25 anos da diva é também uma das maiores que São Paulo já recebeu. O palco abrigou uma tela tridimensional e outros telões que mais pareciam da equipe de dançarinos da estrela.
Madonna surgiu sentada no trono e foi aclamada pelos seus súditos. Interpretou Candy Shop, a primeira de nove das 12 canções que formam o repertório de seu último disco, Hard Candy.
Em seguida ela interagiu com Kanye West e Pharrel em um telão e juntos cantaram Beat Goes On. "É disso que eu estava falando Brasil", gritou ao microfone. Depois a rainha do pop mandou Human Nature: a aparição de Britney no telão rendeu um dos momentos mais ovacionados pelo público.
A cantora encerrou o primeiro bloco do show, intitulado Gangsta Pimp/Art Deco, com Vogue, levando o público ao delírio ao colocar o microfone dentro da calça enquanto bailarinas com visual masoquista tomavam o palco. Nesta primeira parte, Madonna foi protocolar e soltou um breve "Olá, São Paulo". A platéia presente no Estádio do Morumbi também deu um show extra. Além dos celulares, muitos levaram pulseiras luminosas que se espalharam pelas arquibancadas.
Já no segundo bloco da apresentação, a mais agitada do show, Madonna mostrou muita disposição e comprovou estar no auge de sua forma física mesmo aos 50 anos de idade.
Ao cantar Into the Groove, vestida com um shortinho vermelho, a cantora vai além e chega a participar da coreografia pulando corda (de salto alto) e rodando em um cano. "Quero ouvir vocês fazendo barulho", disse convocando o público do Morumbi. Enquanto isso, seu DJ abandonou as pick-ups e pulou na galera.
Parte já rotineira de sua apresentação, Madonna interagiu com dançarinas em seu palco durante a canção She’s Not Me em um ode a si mesma. Cada uma das modelos vestia um modelito representando as fases da carreira da cantora. Ao chegar na última, a noiva de Like a Virgin, a cantora deu um beijo em sua boca e roubou a sua peruca de cachos loiros.
Madonna rodopiou no palco e desapareceu. Surgiu em seguida atrás de uma tela que simula a porta de um metrô. Após uma introdução de Last Night A DJ Saved My Life, a cantora interpretou Music, transformando o estádio do Morumbi em uma imensa boate. Ela chegou a simular a masturbação masculina no palco.
Abrindo o terceiro bloco da apresentação, Madonna incorporou seu lado latino. Ela primeiro apareceu misteriosa, debaixo de uma capa preta, se despindo ao fim de Devil Would¿t Recognize You, deixando à mostra inúmeros cruficixos envoltos de um colar rosa-choque.
Antes de tocar Spanish Lesson, a cantora pegou seu violão e falou "Brasil, eu te amo", primeiro em português e depois em inglês. "Vocês estão se divertindo? Quero que cantem a próxima música comigo", disse antes de iniciar Miles Away pedindo para o público bater palma.
Quando ouviu um coro vindo da platéia que dizia "I love you", Madonna prontamente respondeu com um "I love you too" (eu te amo também). "Estou muito feliz de estar aqui, espero não demorar tanto tempo para voltar", disse. "Vocês me querem aqui de novo?", questionou o público, que respondeu "yes" em alto e bom som.
No bloco final da apresentação, um dos pontos altos foi a canção Like a Prayer, uma das mais aguardadas pelos fãs da cantora. O público cantou e pulou tanto durante a música que era possível sentir as placas que cobrem o gramado do Morumbi tremer.
Depois de Ray of Light, também ovacionada pelo público, Madonna admitiu que estava contente com o show. "Estou feliz de encerrar minha turnê em São Paulo", disse, antes de iniciar o momento interativo do show, quando pede para um fã escolher a próxima música a ser cantada.
Desta vez, o sortudo foi um fã chamado Márcio, nome que fez a cantora se enrolar na hora de pronunciá-lo. A canção escolhida foi Like a Virgin, acompanhada pela platéia com muitas palmas. Porém, Madonna errou uma parte da letra e logo se justificou: "sempre esqueço as letras das músicas velhas".
Assim como no segundo show no Rio de Janeiro, a cantora vestiu a camisa da Seleção Brasileira de Futebol e, ao encerrar o show com as músicas Hung Up e Give It 2 Me, se emocionou. "O coração de vocês está batendo junto com meu", disse.
Madonna ainda desceu nas proximidades da platéia cercada de seguranças e interagiu com os fãs estendendo a mão e dando o microfone para o público cantar: "esta é a última chance de vocês cantarem Give It 2 Me". Ao voltar ao palco, a cantora rolou com seus dançarinos no chão e disse "obrigado, São Paulo" com a voz ofegante. Ao fim do show, o telão exibiu a mensagem "Game Over" (o jogo acabou) indicando o fim da apresentação.
Redação Terra