INternet é usada para divulgar o rap persa, proibido no país.
Rappers não atacam o Islã, mas falam sobre temas impublicáveis.
Há um som que está enfurecendo os aiatolás: é o rap persa. Nem é preciso falar farsi (persa) para entender do que se trata. Trata-se de uma rebelião. Pela música - e pela internet, que divulga tudo o que os aiatolás proíbem, a começar pelo rap.
Os aiatolás sabem como novas tecnologias são perigosas e mudam a cabeça das pessoas. Eles mesmos fizeram a revolução com fitas cassetes, na época em que a ditadura do xá controlava tevê, rádio e jornais.
Hoje, os aiatolás também controlam tudo, menos as mudanças de hábitos da juventude. E dois terços da população do país já nasceram depois da revolução, adotando o que antes era desprezado pelos revolucionários: roupas ocidentais, comida ocidental e música também.
Cuidados Os rappers persas são como seus ídolos americanos. Muito do que cantam é impublicável - para um aiatolá, até mesmo impensável. Os rappers tomam cuidado para não atacar o Islã, mas falam das partes genitais de prostitutas, de bebedeiras em festas selvagens, da solidão de jovens que se acham vítimas do sistema político.
Yas, um dos primeiros e mais famosos rappers persas, sugere que não há mais tabus a respeitar. A letra de outro rapper diz sobre os aiatolás: “hoje vocês me tratam a paulada e chicotada / mas amanhã vão pedir meu autógrafo”.


















